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Atletas de Estilo


Victor Simões

Nadador de Maratonas Aquáticas | 27 anos | Salvador/BA


Tatiana Muller e Victor Simões


. Atleta da Seleção Brasileira
. Campeão Mar Grande x Salvador (10km)
. Vice-Campeão Sul Americano (5km e 10km)
. Vice-Campeão Brasileiro (5km e 10km)
. Campeão Bahiano
. Campeão Paulista

“Uma equipe multidisciplinar é importante para qualquer atleta, é fundamental para tudo”.


1) Tati: Você é de Salvador, então o que veio primeiro: o mar ou a piscina?

Victor: Primeiro veio a piscina. Comecei a treinar no mar com meu pai. Nunca tive contato com a piscina. Depois que eu fui para o colégio, minha avó que me incentivou. Fui fazer judô. Tinha asma, fui treinar em piscina e comecei a competir em piscina. Quando chegou nos meus 10 anos, eu tive um amigo meu que fazia maratona. E falou assim: Você é muito pequeno para a piscina. Então vamos para a maratona, já que você nadou em mar desde pequeno. Então, a transição de piscina para mar foi boa. Fazia as etapas aqui de Salvador que a gente sempre tem de 800 metros, de 600 metros. Para Petiz sempre tem essas competições. Então, a gente sempre teve contato com maratonas aquáticas.


2) Tati: Como surgiu a paixão pelas águas abertas?

Victor: Com 11 anos, eu decidi fazer Mar Grande x Salvador que é uma prova de 12 km. Coloquei na cabeça que eu ia fazer. Coloquei na cabeça do meu pai que a gente ia fazer. Aí mudou o treinamento. Eu tive que fazer um treinamento com um pouquinho mais de volume. Entrei com um pouquinho de musculação, ganhei um pouquinho de força. Então foi uma prova surreal. Nunca tinha nadado uma prova de 12km, só de 3km. Tinha feito o Circuito Bahiano, estava fazendo o Circuito Interior que é um circuito a parte. Então, tinha 2 a 3 travessias no mês. Então, a gente estava vindo em ritmo muito forte. Acabei nadando para completar e fiquei em 12º. Eu com 12 anos nadei uma prova que eu nunca tinha nadado. Depois disso, não larguei o gosto mais por maratona.


3) Tati: Conte sobre as mudanças dos treinamentos e as conquistas da vida esportiva:

Victor: Eu comecei a treinar com Rogério Arapiraca. E tirei férias de 10 dias e voltei treinando pesado para o Sul Americano. Eu só tinha feito prova de 10km. O treino de Rogério é um treino totalmente diferente do que eu fazia. Foi um ano de adaptação e consegui classificar para o sulamericano. Fui para a seleção com 14 anos. De 2ª a sábado a gente fazia o treino na piscina e no domingo o treino no mar. Então a gente fazia o treino de 12km sempre no mar. Logo o Alan do Carmo veio treinar na minha equipe. E tínhamos uma equipe muito boa de maratona e uma equipe muito forte de piscina. Então sempre fazíamos essa transição entre piscina e mar. A gente nunca deixava de nadar em piscina porque a gente tinha que dar velocidade. E você tem que nadar provas de 800 e 400 metros que dão final de prova, que eu não tinha. Treinamento no mar é muito importante. Fiquei treinando 7 anos com o Rogério, pegando seleção, nadando etapas do circuito mundial, nadando mundial. Decidi morar em São Paulo. Tive uma proposta do Sesi, mas acabei indo treinar na UNISANTA em Santos. Fiquei 3 anos na UNISANTA. Foram os melhores anos da minha vida. Voltei para a seleção. Fui vice-campeão sul-americano e campeão brasileiro. O treinamento foi totalmente diferente. Não fazia treinamento específico para águas abertas, fazia treinamento específico para provas de piscina. Eu nadava 1500 metros para 16’30” e acabei nadando 1500 metros para 15’45”. No nível mundial eles nadam os 1500 metros para 15’20”/ 15’30”, então eu não estava longe. O volume não era muito longo comparado com os treinos de 12km em Salvador, eram entre 5 e 7km, mas a intensidade era muito alta. E quando a gente nadava uma prova do circuito, a gente sabia que no outro dia a gente tinha treino, a gente não tinha folga. É uma coisa muito boa para mim. Márcio Latuffi é um dos melhores técnicos de maratonas aquáticas do Brasil. E junto com o Rogério...e eu tive o privilégio de treinar com os dois. Então, foi sensacional.

 

4) Tati: Para quem está começando a fazer Maratonas Aquáticas e até, por que não, o triatleta, o que ele não pode esquecer quando estiver fazendo a parte aquática ou competindo em Águas Abertas? O que é primordial ele lembrar durante a prova?

Victor: Uma coisa que eu faço quando eu não conheço o lugar é verificar a corrente. Cair antes, nadar antes da prova. Se tiver um pescador ou alguém que conheça a praia, a maré, sempre perguntar. Quando botar o percurso, você ficar olhando a bóia, ver se ela virou um pouco, ver como está o vento, como está a maré. Você precisa sentir. Eu acho que o triatleta, eu gosto de triathlon, já fiz uma etapa de triathlon aqui em Salvador. Eu acho que o que peca muito, eu acho, no triatlon olímpico, no brasileiro, é que eles esquecem a parte da natação e focam muito em ciclismo e corrida. Se você for olhar a natação no circuito mundial, eles nadam em ritmo de maratonista mesmo, mesmo emborrachado. Então, uma dica que eu dou muito, até para os meus amigos que são triatletas, é não focar só no pedal e na corrida, mas também na natação. Porque se você sair na frente da água, você mantém a distância se tiver um pedal bom, não precisa ser espetacular, mas bom, você mantém a distância, e se você correr bem você mantém do mesmo jeito. Eu acho que o triatleta tem que ser completo. Já fala tri, são 3 esportes. Você tem que estar dominando muito bem 1. Mas pelo menos os 3 tem que estar bom. E o nadador amador tem que estar atento. Perguntar. Não ter vergonha de perguntar a uma pessoa experiente. Pergunte como é, como não é. Nade. Tenha a sensibilidade para perceber como está a corrente. Se está entrando vento, para que lado, como está a marola. Se for uma prova com duas voltas você deve observar onde estão as bóias e como você vai fazer o contorno de bóia. Ver o ponto de chegada do funil. Buscar um ponto fixo para você nadar em linha reta. Não nadar muito com a cabeça para baixo. O maratonista se estiver no vácuo, tudo bem, mas se não estiver, você deve olhar para frente. Mesmo se você estiver no pelotão. Porque se o pelotão errar você pode ganhar uma prova, você pode abrir uma distância ou você pode ganhar posições e chegar junto. Então, a Maratona é variável. Tem circuito de 5km e 10km. Tem provas do Gran Prix que são distãncias de 15km para cima. É um leque que abre. E tem uma prova aqui, que é a Mar Grande x Salvador que a gente nada com barco. E você não precisa ficar olhando para frente o tempo todo. Você olha para o barco. Então, é diferente. Cada prova é uma prova. No circuito brasileiro, mesmo você sabendo onde é, muda alguma coisinha. Ás vezes a água está fria, a água tá quente. E isso muda. Para 2017 a FINA está mudando o circuito. Vai poder usar emborrachado. Não vi como ainda. Se água tiver até 18 graus vai poder usar. E se quiser é bom usar. Porque o emborrachado influencia bastante. Precisa saber como vai ser, porque não podia liberar zíper, e vai liberar zíper. E focar nos treinos. Focando nos treinos, treinando direitinho. Tendo autoconfiança, mesmo você sabendo que não tem condição, mas está se dedicando na parte física, de repente você perde um treino, mas o mental ganha mais do que o físico. Claro, estando com um físico bom, e o mental bom. O conjunto é bom.

 

5) Tati: Como está a Maratona Aquática no Brasil hoje? Você acha que essa é uma modalidade que vem crescendo e aparecendo mais por causa do Alan do Carmo, Ana Marcel e Poliana Okimoto que estão aparecendo mais, estão sendo mais falados na televisão brasileira ou você tem outra visão?

Victor: A Maratona tem crescido muito. Eu acho que, tipo, Alan deu um baque, a gente deu um baque. Principalmente em 2007, quando foi para o Pan Americano no Rio. Foi medalhista de bronze. Poliana também foi medalhista e a gente tem a única medalha olímpica. Acho que o esporte vem crescendo. Temos Alan liderando no Brasil sempre. Buscando melhores resultados no circuito mundial. E no campeonato mundial. E temos Ana Marcela e Poliana, que não tem o que falar, né. As duas são campeãs mundiais. As duas brigam pelo circuito mundial e, agora, Poliana que foi a 3ª colocada nas Olimpíadas. Foi gratificante pelo ano. Já esperava. Ana Marcela também. Esperava um pódium, mas ninguém sabe o que aconteceu. Só ela pode dizer o que aconteceu, mas se não fosse por eles a Maratona não estaria como está hoje. O circuito Bahiano está muito forte. A Bahia é muito forte na tradição da maratona, tem muito atleta. Rio Grande do Sul, tem Samuel. Fernando Pontes está vindo. Vitor Colonesi que está na UNISANTA, mais é baiano. Então, a gente tem outros estados. Mas está crescendo. E depois dessa medalha olímpica, melhor.

 

Entrevista realizada no Othon Ondina Hotel

em Salvador no dia 22 de novembro de 2016.